Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

... começou a levar vida novamente - Episódio 16

- Como foi lá pai? Como ele tava?

- Nada bem meu amor. Muito abatido, muito triste. Olhos roxos de tanto chorar.

- E o bebê?

- O bebê tá bem. Tá na incubadora ainda. Só sai semana que vem.

- Por que tanto?

- Ele nasceu numa situação complicada amor, tem sorte de ser tão forte.

- E o enterro dela quando é?

- Amor, o enterro dela foi hoje.

- O quê?! Por que o senhor não me disse?

- Amor, calma. Não queria que você fosse. Não ia ser bom para você. Eu sei que você ficou ressentida com isso, mas não ia ser bom para você.

- O que não é bom é o senhor fazendo isso! Eu queria ter ido!

- Filha! Calma. Confie em mim. Por favor, confie. Eu sei como eu fiquei só de ver o pobre do Jonas, não queria que você ficasse assim também.


Samara sai apressada da sala em direção ao quarto, revoltada com a proteção excessiva do pai.


- Filha! Filha! Me desculpe, eu fiz o que achei melhor pra você. Acredite em mim.


Deitada na cama, triste com aquilo tudo, Samara chora. Não sabe mais se de raiva com o pai, pela dor da perda, e o que mais a intrigava era o fato de que não conviveu mais do que 15 minutos com aquelas pessoas, ou um misto de tudo. Tinha sido um dia muito cansativo, muito angustiante e triste. O colégio não foi bem, não conseguia se concentrar em nada. Nem conversar com Juliana sobre o ocorrido lhe acalmou.


Samara nem lembra a que horas pegou no sono, mas já era manhã de quarta feira, 5:00 da manhã. Muito cedo. Geralmente ela acorda às 6:15, apulso, para ir a escola. Parecia mais aliviada, mais calma, apesar de sentir o rosto um pouco pesado, um tanto como inchado por conta do choro. E de fato estava com olheiras. Sem que seus pais percebam Samara já está na cozinha, pronta para ir a escola, fazendo seu desjejum.


- Bom dia amor.

- Bom dia mãe.

- Bom dia minha querida – diz seu pai, olhando-a com cuidado, como se esperasse alguma grosseria.

- Bom dia painho.

- Espero que você não esteja mais chateada comigo.

- Passou painho. Deixe isso pra lá.

- Certo.


A semana termina, o fim de semana passa e Samara ainda não estava normal. Não teve vontade de ir ao cinema, de ir ver as amigas. Ainda estava muito reflexiva, cada vez menos triste, é verdade, mas reflexiva. Na escola conversava com Juliana, mas ria de poucas coisas.


- Alô?

- Alô, Samara?

- Sim, quem é?

- Aqui é Jonas, não sei se você ainda lembra de mim.

- Lembro! Claro que lembro!

- Eu queria agradecer por ter guardado e devolvido a bolsa da minha mulher. Eu agradeci a seu pai, mas queria agradecer a você.

- Não precisa agradecer – um silêncio se segue, Samara não sabe o que falar, na verdade não sabe se fala o que tem em mente. - Eu que queria deixar meus sentimentos. Eu ainda estou muito triste com tudo o que aconteceu.

- Não se preocupe, eu vou ficar bem.

Samara estava constrangida, não sabia se deveria ter dito aquilo.

- O bebê está bem?

- Ela está ótima. Sai amanhã da incubadora.

- Eu queria poder vê-la.

- Você pode vê-la

- Quando?

- Ela sai amanhã, vai demorar um tempo pra eu me acostumar a cuidar dela. Não sei, mas posso tentar sexta.

- Certo, falarei com meu pai. Agora eu tenho que ir, a aula já vai começar.

- Desculpa! Não queria atrapalhar.

- Nada. Espero que o senhor fique bem mesmo.

- Pode me chamar de Jonas. Eu estou me recuperando, a dor é grande, mas estou me recuperando. Obrigado mais uma vez.

- Não precisa agradecer. Tchau.

- Tchau.

Samara fica uns segundos quieta. Não esperava que um dia fosse ver a criança. O silêncio é interrompido por Juliana.

- Sami? Sami? Oi?

- Oi, desculpa.

- O que foi?

- Era o pai da menina, aquele do ônibus, lembra?

- Claro que lembro. Eu também fiquei triste. O que ele queria?

- Agradecer pela bolsa. Acho que vou ver a menina.

- Como assim? Você vai na casa dele?

- Não, se for vamos marcar em algum lugar público. E meu pai vai saber.

- Eu quero ir também.

- Como se eu não fosse te chamar.

- Quando vai ser?

- Se tudo der certo, sexta.



Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

... temeu - Parte 2 - Episódio 15

Antes de começar o episódio eu queria pedir desculpas aos leitores pela demora na postagem de um novo episódio. Tirem isso como as férias do blog. Vamos direto agora até o final da primeira temporada. Sim, defini quantos episódios serão. Serão 30. Estamos na metade do caminho.
Eu vou fazer de tudo mesmo pra continuar a história sem pausas.

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Samara observa de perto toda a situação. O ônibus saia em disparada com seus poucos passageiros em busca do pronto socorro mais próximo.


- Calma amor, calma!
- O senhor quer que eu faça alguma coisa?
- Sim, na bolsa dela tem remédios de pressão, pega eles.

- Certo.


Samara mais do que nervosa procura o remédio. Ela mal conseguia segurar os objetos da bolsa de tanto que suas mãos tremiam. A mulher desmaia.


- Achei, tá aqui! É esse?
- É sim!


O ônibus pára. O motorista abre as portas do ônibus e sai correndo, entrando no hospital gritando por uma maca. Não tarda até dois enfermeiros chegarem com uma maca. A jovem é levada inconsciente pelos enfermeiros. Seu marido a segue nervoso. Pela janela, Samara olha a maca entrando no hospital. Ela senta no banco, ainda nervosa e pensativa. As poucas pessoas no ônibus conversam sobre o ocorrido, a viagem tenta seguir sua normalidade após alguns minutos.


Passado uns 15 minutos do ocorrido Samara escuta um barulho de peso ao cair no chão, vindo da parte de trás do ônibus. Olhando com cuidado Samara nota que a Bolsa da mulher estava no chão. Seus documentos agora espalhados no chão do ônibus. Ela os pega e coloca de volta na bolsa. Olhando com cuidado vê a identidade da jovem. E era jovem mesmo, 26 anos. Maria Rita era seu nome. Seu celular também estava na bolsa.


- Cobradora? Olha, a bolsa da mulher ficou no ônibus. O que eu faço?

- Os documentos dela tão ai?

- Estão sim. Todos. O celular também.

- È melhor então você ficar com a bolsa e tentar entrar em contato com ela diretamente. Ninguém nunca vai nos achados e perdidos da empresa.

- Hum. Certo. Obrigada.


Em casa Samara conta o ocorrido aos seus pais. Os pais de Samara ligam para o hospital onde a jovem recebeu os primeiros socorros. Ela foi transferida para o hospital do seu plano de saúde. Enquanto seu pai procura na lista o telefone do hospital, Samara olha o celular de Maria Rita e acha na agenda um telefone que ao que tudo indicava seria de seu marido. “Jonas(amor)”.


- Pai, eu acho que é o marido dela. Ligo?

- Ligue pra avisar que as cosias dela estão conosco.

- Certo.

O telefone dá fora de área.

- Fora de área, pai. Amanhã eu ligo novamente.

- Eu achei o do hospital aqui. Deixa eu ligar pra lá.


Samara e sua mãe aguardam alguma noticia. Ouvem seu Marcos conversar com a atendente. Após alguns minutos ele desliga o telefone.


- Ela tá na sala de cirurgias. Vai fazer uma cesariana. A atendente não conseguiu encontrar o marido dela. Disse que ligássemos amanhã de manhã pra termos noticias.

- Então amanhã logo cedo a gente liga.


Samara demorou mais do que o de costume para dormir naquela noite, pensando em tudo o que havia acontecido naquele dia. Nem se lembrara que minutos antes ao acontecido no ônibus ela estava no cinema, um de seus programas favoritos. Ao levantar no outro dia, seus pais já estavam de pé e prontos para irem ao trabalho, mas seus olhares não eram dos mais animados.


- Filha, liguei para o hospital.

- E ai? Como ela está? O bebê tá bem? É menino ou menina?

- É uma menina e tá ótima.

- Que bom! Ufa! Falou com o pai dela? A gente vai lá devolver a bolsa?

- Eu vou devolvera bolsa, você não.

- Por quê?

- Amor, ela faleceu.

- O quê? O que houve?

- A gravidez dela era de risco, ela tava tendo complicações há um tempo. Depois da crise de ontem o coração dela não resistiu.

- Nossa... mas...não... puderam fazer nada por ela?

- Infelizmente não.


O silêncio toma conta da sala. Samara sentada no sofá não diz uma palavra. Seu pai de pé a olha enquanto sua mãe terminava de se arrumar.


- Filha?

- Oi.

- Você vai ficar bem?

- Acho que sim. Eu sei que nem a conhecia pai, a única coisa que ouvi aquela mulher falar foi que sua bolsa estourou. Mas eu vi o desespero do seu marido. Eu fiquei desesperada com aquilo também. Eu não os conhecia, mas eu me sinto mal. Triste.

- Você participou da situação meu amor, de alguma maneira você criou um laço com aquele casal, por mais que você só tenha os conhecido ali, naquela situação. Lembra daquela frase do tempo? Que o que importa não é o tempo e sim a intensidade? Às vezes aquilo é verdade.

- Ele deve tá arrasado.

- Ele realmente estava muito mal, eu só consegui dizer a ele que estava indo devolver a bolsa. Eu vou levar agora. Você vai ficar bem?

- Acho que vou.

Dona Marta senta ao lado de Samara, passando a mão em seus cabelos. Samara a abraça.

- Meu amor, infelizmente a vida tem dessas coisas.


Samara nada responde. Dona Marta continua a confortá-la e então percebe que Samara estava chorando. Não era um choro sem fim, mas eram lágrimas de um sentimento que ela não sabia explicar. Dona Marta enxuga suas lágrimas e então fala.


- Amor, é melhor você ficar em casa hoje. Eu ligo para sua escola.

- Não mainha, é melhor eu ir. Se eu ficar em casa só vou ficar pior.

- Você é quem sabe. Sei que eles não eram seus amigos, mas eu conheço você. Sei que você é muito emocional. Se você diz que dá pra ir para a escola então eu confio no seu julgamento. Qualquer coisa você me liga. Certo?

- Certo mainha..

- A gente vai indo, certo?

- Certo. Pai!?

- Oi meu amor.

- Eu quero ir no enterro dela.

- Amor, eu já não queria que você fosse hoje comigo para não lhe expor a mais sofrimento.

- Mas eu quero ir ao enterro.

- Amor, pense direitinho.

- Eu vou.


Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Comunicado

Este que vos fala vem aqui dizer que Samara só volta em Julho. Pois é.
Devido ao meu grande relaxo vocês ficaram sem estórias nesse ultimo mês. O que vai acontecer? Julho seria o mês das férias de Samara também, e não ia ter nada no blog, agora ela tá tendo essas férias adiantadas e em julho teremos estórias normalmente.

Eu sei que sou relaxado, comecei a escrever, gosto muito de escrever, mas eu ando muito preguiçoso! O pior nem é isso! O pior é que a faculdade tá deixando sem tempo! Pois é! Ultimo mês de aulas e são só trabalhos e provas! Correria! E mesmo quando tem tempo não dá pra concentrar pra escrever.

E se eu disser que tem uma história prontinha no meu caderno? É! Tava ali, numa aula chata, ai escrevi. Então... veja bem... a previsão é de volta em julho, mas.... se der.... eu passo tudo rapidinho pra o pc, dou uma corrigida, uma ajeitada, boto nos trinks e posto!

Me desculpem pelo "descaso".

Fiquem de olho em junho pra ver se aparece algo.

Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

... temeu. - Episódio 14

“Merda! Sabia que tava esquecendo alguma coisa!”

- Oi Ju, depois eu ligo pra tu. Tô no cinema.
- Ah tá, foi mal.

“Será que perdi alguma coisa importante? Ah ! Perdi não! Agora é que ele vai falar a verdade a ela.”

Samara queria passar o tempo, mas queria passá-lo sozinha. Colocou em prática uma mania que há muito tinha: ir sozinha ao cinema. Sempre que queria realmente ver um filme ela ia só ao cinema. Na verdade ela sempre foi bastante independente. Porém, o que ela queria mesmo era ficar só, ainda estava triste pela partida de Hugo.

“Oxe, que filme da porra! É bom, mas é doido. Deixa eu ligar pra Ju.”

- Ju?
- Oi.
- Diz ai, o que foi?
- Ah, vamos viajar comigo no próximo fim de semana? Com painho e mainha.
- Pra onde?
- Pra casa de praia da gente, lá em Enseada.
- Oxe, desde quando vocês têm casa em Enseada?
- Desde ontem! Painho comprou!
- Eita! Que massa! Eu vou ver lá em casa, mas acho que vou.
- Vê mesmo. Tais com quem ai?
- To sozinha.
- Voltasse com tuas manias de doida foi?
- Foi. Você devia ter umas manias dessas também.
- Eu não! Eu tenho amigos!
- E eu também, mas eu não os tenho sempre que quero.
- É verdade.
- Olha, vou indo que ainda vou pegar dois ônibus.
- Tá. Cuidado e quando tu chegar em casa a gente se fala pela net.
- Certo, tchau.
- Tchau.

“Eita que essa hora o ônibus deve tá lotado”

Para a surpresa de Samara o ônibus estava era quase vazio. O que era muito estranho. Era difícil andar de ônibus e não lembrar do seu incidente. Ainda mais tomando o mesmo ônibus e em condições parecidas. Ela não sabia se era coisa de sua cabeça ou se realmente seus instintos estavam lhe alertando sobre algo.
“Por que aquele senhor tá tão nervoso? Ele não pára de olhar pra trás... aquela mulher também, ela tá muito nervosa e o cara do lado dela não pára de olhar o relógio. Será que são namorados? Ainda tem aquele cara sozinho lá trás. Puta merda, ou eu tô ficando louca ou me meti em mais uma furada. Samara! PARE! PARE! É COISA DA SUA CABEÇA!!! PARE!!! PARE NÃO!!! O cara levantou! Caralho!!! Tá indo lá na cobradora. Ele vai assaltar agora! Não é possível! Calma, deixa ver o que vai acontecer! Ele tá voltando, só falou com a cobradora, mas ele tá muito nervoso, apressado. E eles são namorados mesmo, ele beijou ela. Ela tá passando mal? Ela não tá legal. Tá mesmo não. EITA! Ela desmaiou!”

- AMOR! AMOR!!! Motorista! Ela minha mulher tá passando mal! Pára em algum hospital! Por favor!!!
- Leva Motô! Ali na frente tem uma particular, eles vão prestar socorro!
- Amor! Acorda amor! Meu Deus! É a pressão! Tá caindo direito!
- Moço! O que dá pra fazer pra ajudar?
- Segura ela enquanto dou água a ela. Amor! Amor! Acorda amor!

O homem coloca água na boca da mulher, que mesmo inconsciente engole o liquido. Ele continua a reanima-la tocando em seu rosto e chamando sua atenção. Samara pegou a pasta do cara que estava sentado sozinho no canto do ônibus e a agitava para fazer algum vento para a mulher desmaiada. Aos poucos ela vai retornando, mas ainda bastante fraca. Quando o marido tenta deixar a sua esposa sentada é que Samara nota que ela estava grávida, e estava com um barrigão.

- Amor, amor. Calma. Tome o remédio vá. A gente deve tá chegando num hospital já.
- Amor...amor... a bolsa.
- A bolsa tá aqui, já peguei o remédio.
- A bolsa estorou.

Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

... se despediu - Episódio 13

Observação: leitores e leitoras, quero com vocês um teste fazer. Mais embaixo tem um link com um webplayer. Abram o site e para começar, apertem o botão de play para a música começar a carregar. Mas não é pra ouvir a música agora. Deixem carregar e comecem a ler o texto. Em um determinado ponto do texto vocês vão ler uma tag em parenteses e em negrito "(Começa música)". Ai sim vocês devem começar a ouvir a música e continuar a leitra. Preciso muito do comentário de todos vocês que lêem o blog. Me digam se a música atrapalhou a leitura, se a música ajudou, se fez sentir mais emoção. Enfim, é um teste. Espero a opinião de vocês! Obrigado e boa leitura!

Link da música
(se o link não funcionar a música é Fix You do Coldplay).



-Painho! Mainha! Hugo tá aqui pra se despedir de vocês.

Samara e Hugo, frente a frente na porta do apartamento de Samara. Ela já visivelmente emocionada, sem ação.

- Hugo! Garoto! Deixa eu te dar um abraço! Faça uma boa viagem! Aproveite lá!
- Obrigado seu Marcos! Obrigado mesmo!
- Hugo querido, faço das palavras de Marcos as minhas. Eu imagino como deve ser difícil ficar longe da família e dos amigos, mas é só mais esse ano.
- É muito difícil, mas o esforço é recompensando. Tô aprendendo muito. Obrigado. E esse pequeno ai? Vai falar comigo não? Não vai me dar tchau?
- Tchau Hugo, aproveita a praia.
- Hã? Ahh! Não Pedrinho. Hugo não vai à praia. Ele vai viajar. Esse menino! Samara, qualquer coisa me ligue, viu?
- Certo mãe. Vamos?
- Vamos. Tchau seu Marcos, dona Marta, tchau Pedrinho. Foi muito bom ver vocês de novo. Ano que vem estou de volta!

Samara fazia muita força pra segurar suas lágrimas, mas seus olhos já estavam bem vermelhos e molhados. Até quando ela iria segurar as lágrimas ela não sabia, mas tinha certeza de que não seria por muito tempo. Ela sempre se emocionou fácil, quem dirá quando um grande amigo vai embora? Ainda mais agora que ela concretizou um antigo sentimento Ela tentou não se iludir com isso, sabia que ele iria embora, sabia que lá seria outra vida. Sabia também que aqui seria outra vida, que ela nenhum dos dois podiam se garantir nada. Mas ela estava triste mesmo assim. Ela não estava apaixonada, já foi um dia, mas ficar com ele reacendeu um pouco do que sentia. Era o tchau a um amigo e provavelmente um adeus a um romance.

- Meus pais estão lá embaixo já. Painho que queria falar com teu pai, acho que na volta eles se falam.
- Hum, certo.
- Sami, obrigado por ir comigo, você é uma grande amiga. Eu sei que a viagem é tarde, meia noite, seus olhos já estão vermelhos.
- Hum, ótima desculpa.
- O quê?
- Nada.
- Chegamos, vamos.
- Oi seu Felipe e dona Bárbara.
- Oi Sami! Tudo bom?
- Dentro do possível sim.
- Vamos?

(Começa música)

Chegar ao aeroporto foi fácil, eles saíram com mais de uma hora de antecedência, para garantir que iam mesmo chegar na hora. Faltavam 40 minutos hora para o vôo sair.

- Mãe, eu vou ali com Samara comprar algo pra levar na viagem.
- Certo, mas olha a hora.
- Tá, vamos Sami?

Eles se afastam, descem a escada rolante. Mal conversaram no caminho, Samara não conseguia achar algo para conversar. E parece que Hugo também não. Eles continuam andando no piso inferior, quando chegam a um lugar mais afastado Hugo toma uma atitude repentina. Um beijo em Samara, e um beijo como há tempos ela não tinha recebido. Um beijo forte. Tudo o que ela conseguiu fazer foi repetir o gesto. Ela o abraçou bem forte. Beijava como nunca antes tinha beijado alguém antes. Já tinha dado muitos beijos longos, muitos beijos de deixá-la sem fôlego. Mas nunca tinha dado um beijo de despedida. Um beijo em que ela queria dizer “não me esqueça”.
As lágrimas já não eram mais controladas, por nenhum dos dois. Ainda beijando-a ele coloca as duas mãos no rosto de Samara, uma de cada lado. Por uns segundos eles param de beijar. Afastam os rostos, Samara de olhos fechados, as lágrimas por seu rosto. Hugo olha Samara por uns segundos ainda com as mãos em seu rosto, com as mãos que buscam sentir o rosto de Samara, como se os dedos fossem capazes de guardar aquela sensação para sempre.

- Eu não sei o que vai acontecer nesse resto de ano. Eu não sei como vai ser minha vida lá nem a sua aqui, mas sei que não importa o que aconteça, quando eu voltar você vai ser minha amiga. Não podemos nos garantir nada e eu queria levar esse ultimo beijo na lembrança. Não sei se a gente tivesse ficado antes de eu viajar da primeira vez estaríamos namorando agora, não sei como estaríamos. Sinto que perdemos tempo, que deixamos a hora passar. Eu me pergunto até hoje como eu fui tão medroso em não tentar nada.
- E eu que fui tímida? Teve uma época em que eu não tirava você da minha cabeça. Quando você foi embora ano passado doeu, mas não como dói agora. Eu também não sei o que vai acontecer com a gente. Também sinto que perdemos tempo.
- Eu sei que você esteve interessada por outro.
- Sabe? Ahh, Juliana!
- É. E você sabe que eu também tive interessado em outra lá. Eu não sei como vai ser.
- Só nos resta esperar. Infelizmente.

Embarque para o vôo da TAM com destino a Quebec, Canadá, no portão 6.

Samara olha fixo nos olhos de Hugo e mais uma vez as lágrimas não são contidas. Nem os soluços. Outro forte abraço, bem afetuoso.

- Sami, como amigo eu posso abrir a boca pra dizer que te amo.

Samara não conseguia falar, e ao ouvir o “te amo” ela o abraça mais forte ainda.

- Calma. Eu volto!

Samara mesmo chorando sorri. Os dois decidem voltar para a área de embarque. E Samara e Hugo não eram os únicos a chorar. Dona Bárbara também chorava abraçada a seu Felipe.

- Filho! Faça uma boa viagem! Tome muito cuidado lá! Eu sei que você é responsável até demais, sei que você sabe se cuidar, mas mesmo assim. Já sinto saudades de você. Eu te amo filho.
- Também te amo mãe – Hugo também chora abraçado a mãe.
- Filho, faça uma boa viagem e qualquer coisa que precisar peça. Você sabe que estamos aqui.

Pai e filho se abraçam, Samara observa.

- Bem, acho que é isso, vou embarcar logo. Então... tchau pra vocês e no fim do ano eu volto. Sami, vem cá.

E para a surpresa de dona Bárbara Hugo se despede de Samara com um beijo na boca. Samara fica com um sorriso no rosto. Os três ficam próximos ao portão de embarque, esperando Hugo entrar. Samara ainda emocionada fica olhando. Foi difícil ver Hugo entregando as passagens a funcionária. Ali era o ultimo olhar, o ultimo momento até o próximo ano. Ao entrar para a sala de espera Hugo olha para trás, olha os pais, olha para Samara. E foi como se tudo fosse em câmera lenta. Ele sorri olhando para ela, ela sorri em troca Um sorriso com lágrimas dos dois lados, e essa é a imagem que os dois vão ter em mente até o fim do ano.

Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

... matou aula! - Episódio 12

Era uma bonita manhã de quinta feira e as coisaS iam muito bem para Samara. Na noite anterior havia acontecido algo que para Ela já tinha passado da hora de acontecer. Hugo e ela finalmente se beijaram. Mas também era a véspera do dia de Hugo ir embora para o Canadá. Era um misto de alegria com profunda tristeza o que ela sentia. Euforia em ter beijado Hugo e uma imensa vontade chorar porqUe ele ia embora.

Samara então resolve não pensar no dia de amanhã, mas sim Pensar no hoje e tentar conseguir algo pra guardar na memória tão forte quanto aquele beijo.

- Hugo? Hugo? Te acordei?
- Humhum!
- Desculpa, mas é que amanhã tu vai emboRa e eu queria fazer algo contigo hoje, pra gente se divertir.
- Tu tem o quê em mente?
- Lembra onde é o colégio, né? Então, eu vou tE esperar perto do colégio.
- Tu vai matar aula?
- Só hoje.
- Por minha causa?
- Sim, tu é um grande amigo que vai embora amanhã.
- De que horas eu chego lá?
- Eu vou ter que sair agora, pra o pessoal daqui de casa pensar que eu fui. Chega pelas 8 se der.
- Dá sim. Espera lá.

Samara não sabia neM de onde tinha tirado essa idéia, muito menos o que ia fazer durante o dia. Foi uma loucura que bateu de ultima hora, mas que agora já estava feita. E Hugo chegou assim como havia prometido, bem perto das 8 horas. Um beijo na boca seguido de um sorriso de ambas as partes soa como se fosse um “bom dIa”, soa como se fosse um “ótimo dia”.

- E ai? O que vamos fazer?
- Eu nãO sei. Só queria passar a manhã contigo.
- Hum! Ótimo! Mas aqui atrás da EScola é que não vamos ficar, né?
- Não! Claro que não! Vamos dar uma olhadinha no mar?
- Vamos!

Apesar de estudar pertinho da praia fazia Tempo que Samara não via o mar. No caminho vão conversando sobre diversas coisas, sobre o dia anterior, sobre o que tinha acontecido. Um assunto que nenhum dos dois queria tocAr era o do dia seguinte, a despedida de Hugo. Tanto ela como ele tinha acordado em viver aquele dia, e somente aquele dia, como se o amanhã não importasse.

O mar lindo e imponente como Samara jamais havia visto. O céu azul e sem nuvens. Hugo morria de saudades daquele calor, daquele ambiente. Os dois caminham de mãos dadas pela orla, molhando os pés Nas ondas que Ocasionalmente os alcançavam. Vez por outra trocavam palavras, falavam sobre coisas do passado. Mas naquele momento palavras não eram necessárias, pois tudo era substituído por um olhar e um sorriso. Eles param, de frente para o mar, olhando a paisagem.

- Por que a gente demorou tanto pra deixar isso acontecer?
- Sei lá, há um ano atrás não éramos as pessoas que somos hoje Sami.
- Eu sei, mas a gente queria, quer dizer, eu queria.
- Então, eu também, mas não via isso em você.
- É, eu não demonstrava.
- Ficar se perguntando por que isso não aconteceu antes não adianta de mais nada. Importa é que aconteceu agora.
- Eu sei. – Samara vai para a frente de Hugo – É que amanhã tu já vai embora. A gente só trocou beijos, não é um relacionamento, mas se você ficasse seria, tenho certeza. Por isso que fico PENsando no antes. Porque se tivesse acontecido antes a gente já teria muita história pra contar, mesmo tu tendo que ir viajar.
- Eu sei disso. Mas eu volto, no fim do ano volto de vez. Eu não sei o que vai acontecer com a gente daqui pra lá. O que sentia por você ficou apagado enquanto eu estava longe, quando te vi foi que reacendeu tudo de novo.
- Comigo também. Eu não sei o que vai acontecer durante o resto do ano. Mas não vamos pensar nisso não, vamos deixar acontecer. Quando você voltar a gente vai ver como vamos estar. Vamos aproveitar o dia de hoje como se não fosse mais acontecer.

Mais uma vez os olhares vão ficando mais próximos, mais íntimos. E outro beijo acontece, e esse bem mais forte do que o da noite anterior. Um beijo que significava muita coisa. A água tocando seus pés, os Dois abRaçados, se beIjando, quem Via ao longE não poderia distinguir duas pessoas.

E assim foi o dia, após a praia foram pra Olinda, andaram juntos pelas ruas e ladeiras do sitio histórico, aproveitaram muito bem aquela manhã, que como Samara havia planejado, foi para guardar na memória.

Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

Passando o selo








Leitores e leitoras de todo meu Brasil, fui premiado na indicação dessa nova Publicidade dos Blogs da internet brasileira. A Publi dos Selos! E como funciona isso? Funciona assim: quem recebe um selo tem que o repassar para mais cinco pessoas, ou seja, mais cinco blogs que merecem atenção.
Pois é, é uma corrente de e-mails por blogs, mas que serve pra o dono daquele blog que você tanto gosta indicar as fontes de leitura, de lazer ou passa-tempo dele.

E ai lá vão eles:

Galinha Criou Dente
Shablemga.com
Omfgitsabl0lg
Salada Total
Poemas Tardios

Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

... cantou - Episódio 11

BASEADO EM FATOS REAIS

- Sempre chocolate, né?
- Sempre! E tu sempre no de graviola.
- Teu aniversário foi muito legal! Que bom que eu voltei bem pertinho da data!
- Né? Dia do Índio! Dia do aniversário do rei Roberto Carlos.
- Você é praticamente uma índia loura da jovem guarda!
- Mas claro! Quer que eu cante? Amanhã de manhã, vou pedir um café pra nós dois...
- Caramba! Tinha me esquecido como tua voz era bonita!
- Disse tudo! Era!
- Ainda é! E muito! Vamos lá em casa gravar alguma coisa? Como a gente fazia antes?
- Hum... não sei, não sei se a voz é a mesma ainda.
- Vamos, é a mesma sim.
- Vamos ver, antes de você ir embora eu vou. Prometo.
- Quer ensaiar, né?
- Não leso, vai ser um presente de despedida.

Samara acabara de completar seus 16 anos e apesar da idade avançar ela estava muito feliz. Feliz por ter todos aqueles amigos a sua volta, feliz por ter um grande amigo de volta, mesmo que momentaneamente, e principalmente feliz por ter a chance de completar seus 16 anos, pois o susto que tomou em Janeiro não foi nada fácil de superar. Na verdade ela ainda tinha algumas seqüelas do incidente, mas ela sempre soube controlar suas ânsias e medos.

O convite de Hugo lhe foi mais que bem vindo, na verdade era o tipo de diversão com a qual eles passavam horas compartilhando antes dele viajar. Samara sempre teve uma voz bonita, agradável de ouvir cantar. Não, não era nenhuma cantora profissional, mas era uma amadora muito acima da média. Nessas duas semanas em que Hugo esteve com ela tudo foi diversão. Samara queria matar as saudades do amigo, e estava conseguindo.

Ela também notou que estava conseguindo criar uma despedida difícil, já que os momentos bons foram muitos. Desde a chegada até a visita dos amigos, idas ao cinema, festas e longas conversas noite adentro na garagem do prédio, onde eles costumavam brincar e passar o tempo. Até um inusitado reencontro com Fábio na praça, e claro, com Jack.

Mas ela não esqueceu de Danilo, desde o dia em que Hugo chegou ela sabia que Danilo queria conversar com ela, mas parece que a chegada de Hugo fez Danilo deixar a conversa um pouco de lado. Na verdade ele até tentou, Samara até que quis ouvir, mas algo sempre impedia. Ou era algo a fazer ou simplesmente não se tocava no assunto.

As semanas foram passando e Samara foi ficando confusa. Primeiro porque nesse tempo ela ficou mais uma vez com Danilo, mas foram dois dias após a chegada de Hugo. Depois disso ela se dedicou mais ao amigo regresso e começou a relembrar antigos sentimentos. Ela nem sabia se o que sentia era real mesmo ou era apenas saudades contidas. O que ela tinha certeza era de que estava realmente confusa.

O dia da partida de Hugo para o Canadá estava bem próximo. Samara ficava triste ao lembrar que em dois dias seu amigo iria para bem longe dela. Ela resolve dar ao amigo um momento que para ela seria memorável.


- Oi Sami! Visita surpresa! Que ótimo!
- Ah, eu vim pra nossa gravação!
- Eita! Tinha até esquecido oh! Entra ai.
- Cadê o povo?
- Foi trabalhar, tirando vovó que foi comprar umas coisas pra eu levar.
- Ah tá. Tu ainda tem o gravador?
- Agora a coisa tá moderna! É tudo no PC! – risos dos dois – Vamos lá no quarto.

O quarto de Hugo era praticamente um mini-estúdio, e como ele conseguiu montar aquilo ela não sabia. Era tudo portátil, um notebook, dois fones de ouvido grandes, com microfones e tudo e um microfone em separado. Hugo ajeita tudo, coloca o seu notebook na cama e pede pra Samara ir com um fone e o microfone pra longe dele.


- Vai Sami, canta ai que eu gravo aqui! Se ficar bom vai virar o toque do meu celular hein? – risos dos dois.

Samara se concentra, fecha os olhos, respira fundo e então começa:


É impossível fingir que posso controlar
O que estou sentindo é muito forte pra negar
Por que resistir se eu sei que você também quer?
Sabe que eu não vou seguir sozinha
Você tem a chave do meu coração

Hum hum

One, você é meu sonho bom
Two, eu quero ter você pra mim
Three, por muito tempo esperei, preciso ouvir você dizer sim
Four, se quer eu posso repetir
Five, o que eu te disse até aqui
A qualquer preço eu quero o seu amor
Só serei feliz assim

Samara pára de cantar, aos poucos vai abrindo os olhos, saindo daquele êxtase de momento. Como ela escolheu a música ela não tem certeza, só cantou a primeira coisa que veio em mente. Hugo estava sentado na cama, um tanto quanto paralisado e Samara não sabia dizer por quê. Hugo então levanta-se, sem dizer nada, Samara coloca o microfone na escrivaninha do quarto, vai tirando o fone do ouvido, aos poucos. Os dois com olhares fixos. Parecia haver um encanto no ar. Danilo cada vez mais próximos, na vista de Samara o ambiente do quarto começava a desaparecer, tudo o que via era Hugo sorrindo e vindo em sua direção.

Aconteceu algo que deveria ter acontecido meses atrás, algo que foi adiado por falta de coragem. Os dois se beijam.



p.s.: antes que apareçam as perguntas, não, essa história não aconteceu comigo.

Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Um texto bonito

Então, mais uma vez, peço desculpas pelo aparente descaso com o Blog. O problema não é descaso meu. Eu disse que ia fazer reserva de textos e tudo mais, mas nem tempo de parar e me dedicar a estória eu tive, novamente. A culpa é de quem? Minha! Eu ia colocar a culpa na faculdade, mas eu só me atolei de coisas pra ler nessas ultimas semanas porque em certa parte eu deixei acumular assunto. Mas a culpa não é toda minha não, os professores pensam que só pagamos as suas cadeiras e todo mundo joga tudo de uma vez!

Enfin, quinta passada não teve "Samara", como alguns gostam de falar. Nesta segunda também não. Eu simplesmente não vou jogar qualquer coisa aqui pra vocês lerem. Eu já disse! Pra não deixar vocês de mãos vazias esta semana, pelo menos nesta segunda, eu vou postar um texto que eu escrevi semanas atrás, quando tempo pra parar e concatenar idéias era um luxo do qual eu tinha. Mais uma vez uma narração que eu não sei se é estória ou história. Tá mais pra história...


Deixa Acontecer

Porque ela disse “não” é um mistério até hoje. Quer dizer, era. Mal sabia que durante este quente dia descobriria.
A mesma rotina, tudo era normal, exceto pelo “não” ouvido dias atrás. Aquilo sim, tão pouco em letras, mas tão forte em sentido, aquilo sim é capaz de mexer com os brios de um homem!
Levantar, tomar banho, comer, sair, pegar ônibus cheio, trabalho, trabalhar, hora do almoço, restaurante da esquina, vê-la vindo almoçar, conversar com ela, come, rir, continuar comendo, olhar seus lindos olhos, provocar seus belos sorrisos, esquecer da comida, admirar ela comendo e continuando fazê-la sorrir, ter que ir embora e rezar pra o amanhã chegar logo! Essa tinha se tornado minha rotina depois que a conheci. Hoje ia ser diferente.

- Oi!
- Oi!
- Tudo bem com você?
- Não, creio que não.
- Tem haver comigo?
- Sim, creio que sim.
- A gente não pode.
- A gente pode sim. Você quer tanto quanto eu.
- É verdade, mas não podemos.
- Se a vontade é de ambas as partes e não há impedimentos acho que deveríamos poder.
- Eu sei.
- Então por que mais uma vez um “não”!?
- Eu disse porque precisava ter certeza.
- De quê?
- De que o que faria seria certo.
- E o que você vai fazer.
- Isso quem vai me dizer é você.
- Como assim?
- Tem um tempo já que estamos nessa. Você me conhece muito bem, mais que qualquer outro eu acho. Nossas intenções são as mesmas. Ambos nos queremos sem comprometimento. Ambos já nos deixamos levar por isso e foi muito bom.
- Justamente por isso a gente não deveria se policiar tanto! Quando as pessoas fazem coisas e elas são muito boas elas tendem a fazer novamente quando têm vontade e oportunidade! Isso não nos falta.
- Posso terminar?
- Claro.
- É perigoso. Somos amigos, prezo muito sua amizade, prezo você.
- E quem disse que eu não? Eu te amo! Tu é uma das minhas melhores amigas! Só que me atrai por você. Não, eu não quero namorar você, essa foi uma idéia que tirei da cabeça faz tempo. Você não acredita nas mesmas coisas que eu pra fazer um relacionamento funcionar. Eu só quero aproveitar o momento.
- Posso?
- Deve.
- Tenho medo que mesmo você ciente disso, que mesmo ambos sabendo disso, você se apegue. E nossa amizade como fica?
- SE eu me apegasse a você, me apaixonasse por você, quer dizer, eu me recuperaria.
- Você se afastaria.
- Afastar não, mas precisaria de um tempo pra me recuperar, o que faria parecer que estivesse afastado. Não vou deixar de ser seu amigo.
- Você não pode garantir isso.
- Nem você que eu vou me apaixonar.
- É o mais óbvio.
- Não, não é.
- Pois bem, a situação é muito difícil pra mim também e se tem uma coisa que eu destaco de você nisso tudo é que você não forçou nada. Talvez até quando eu quisesse que você forçasse você não o fez. Você tem respeito por mim.
- É, talvez até demais. Realmente me falta um pouco de atitude.
- Realmente, mas racionalmente, pra nossa amizade isso foi bom.
- No que sentimos um pelo outro não tem nada de racional. Há desejo! Você também é muito racional, tanto quanto eu.
- É verdade.
- Deixa a vida levar um pouco pô! Viver o momento, o desejo! Não vamos abandonar a racionalidade, só vamos deixá-la um pouco de lado, ela vai saber a hora de vir pro seu lugar. Olha pra mim.
- Pensando.
- Em quê?
- É muito difícil te ouvir, tu sempre tem bons argumentos e por mais que tenha opinião formada você me faz pensar.

Um silêncio segue a sua fala. Minha cabeça a mil, meu corpo com vontade de abraçá-la, minha boca de beijá-la.

- Oh, eu tenho que ir.
- Já!?
- Sim, o chefe mandou voltar mais cedo, reunião.
- Tá certo, até amanhã.
- Até.

Andar no sentido contrário ao dela quando cheguei a rua foi difícil. Sempre era difícil ir embora, depois que comecei a conhecer ela melhor sempre foi difícil ir embora. Eu não esperava por aquilo, ela grita.

- EI!!!
- Oi!
- Ei! Boa sorte lá na reunião!
- Ah! Valeu, vou precisar. Você voltou por isso?
- Não.

Seu olhar me dizia tudo, seu sorriso mais ainda. Aquela mão no meu rosto, como da primeira vez, aquela sensação, como na primeira vez. Eu voava e caia ao mesmo tempo, gritava e sussurrava por dentro, como na primeira vez.

Como na primeira vez, sinto seus lábios tocarem os meus. Não sei ao certo quanto tempo se passou ali, não sei quantas pessoas nos viram, quantas vezes o sinal da esquina abriu e fechou. Porém, de uma coisa tenho certeza, de que não havia mais volta, que desde o primeiro momento que ela se permitiu nós não tínhamos mais volta. Não, não iríamos nos casar, ter filhos e viver juntos para sempre. Pra sempre vamos viver como amigos. Ela disse “não” porque precisava ter certeza, agora ter certeza de quê já é outra história! Isso só quem pode dizer é ela. Se fosse arriscar um palpite eu diria que ela precisava ter certeza de que estávamos dispostos, ambos, a correr os riscos de nossos desejos. A única coisa que tinha certeza é de que não há mais volta, de que vamos nos guiar pelo desejo e onde ele vai nos deixar eu não quero saber, só quero que ele demore bastante pra chegar lá!





ps: sim, é baseado em uma história real. Bem real.

Domingo, 30 de Março de 2008

... reencontrou o passado - Episódio 10

A tarde de Samara mal havia começado e Ju Ju já tinha lhe dado um tremendo susto e a deixado um pouco constrangida por conhecer um estranho. Ainda pensativa no que acabara de acontecer Samara sai do elevador e segue em direção ao seu apartamento. Enquanto pega no bolso de sua calça a chave do apartamento ouve uma voz que a tempos não ecoava por ali. É bem verdade que estava um pouco diferente, mas ainda era reconhecível.

- Sami?
- Hum? – Samara dá meia volta, e parece não acreditar muito no que vê. – HUGO!!!

Sem nem pensar coloca Ju Ju no chão e corre para abraçá-lo. Hugo era um grande amigo que ela tinha no prédio. Ele havia viajado a cerca de um ano, intercâmbio no Canadá, a previsão era de passar apenas seis meses, mas ele acabou ficando um ano. Ela não tinha noticias dele a não ser pelas fotos que via em seu Orkut e os recados que trocavam. Mas ele não havia avisado que voltaria. Uma surpresa e tanto! Digna do caloroso abraço e diversos beijos no rosto que trocaram!

- HUGO!!!! Que saudades!!! Tu chegou quando!?
- Hoje! Cheguei hoje! Quer dizer, quase agora! Quis vir logo te ver!
- Por que tu não avisou, hein?
- Queria fazer surpresa!
- Caramba! Uma ótima surpresa! Muitas saudades de tu! Tais diferente!
- Só tô mais branco!
- Tua voz também mudou.
- Ei pô, eu já passei da puberdade, 17 anos já!
- Eu sei leso! Mas tá diferente!
- Tu também mudou! Tá mais bronzeada! Teu corpo também. Têm umas curvas ai que eu não vi quando viajei.
- Bocó! Tu veio de vez?
- Não! Eu vou estudar mais um ano lá! Vou voltar daqui a duas, talvez três semanas. Eu ia voltar no meio do ano, mas nenhum colégio ia me aceitar aqui no meio do ano. Ai venho ano que vem volto pra fazer o 3º ano e estudar pra o vestibular.
- Poxa! Pensei que tinha voltado pra ficar! Que porcaria!
- Sami, eu só vim dar um oi rapidinho, tava morrendo de saudades! Eu vou ter que ir, vou na casa de vovô, minha mãe tá esperando.
- “Minha mãe”? Ei, tu voltou! Aqui é “mainha”! E vê se vem aqui amanhã! Sei lá, vamos conversar pô! Quando tu puder, se for hoje de noite mesmo, vem aqui!
- Pode ter certeza que eu venho!

Fazia tempo que Samara não sentia tamanha empolgação ao rever alguém. Hugo era um grande amigo naquele prédio, ela gostava muito dele. E certo ponto ela já chegou a gostar mesmo dele, mas foi algo que não se concretizou, pois foi bem na época que ele viajou. Aquele clima passou, ela conheceu Danilo melhor, começou a se atrair por ele, ficaram e não sabia mais como estavam, já que não conversavam sobre nisso no messenger e ao vivo não tinha acontecido mais nada, a não ser a promessa de uma surpresa no intervalo na semana anterior.

No resto da tarde Samara ficou fazendo testes com sua câmera, ligou para Juliana e falou a novidade, brincou com Pedrinho e Ju Ju, e nada da tarde passar. Ficou procurando coisas interessantes na internet, olhou tudo o que podia no Orkut, entrou no messenger, falou com os amigos e nada da tarde passar. E quando era bem no finalzinho da tarde um recado aparece em seu Orkut.

Danilo Martins:
Ei, precisamos conversar! Ao vivo se possível!
Bjus

A resposta é rápida.

Samara:
Sobre?

Danilo Martins:
Sobre nós.

Samara:
E o que tem “nós”?

Danilo Martins:
Apaga esses recados ai, eu vou entrar no msn, tais lá?

Samara:
Eu já tô lá, só não sei se vou demorar.

Passam uns cinco minutos e nada de Danilo entrar no messenger. Alguém chama na porta, era Hugo. Samara apesar de esperar não acreditava muito que ele viesse, estava louca pra conversar com seu amigo recém chegado. O tempo em que Samara vai receber Hugo é o mesmo em que Danilo entra no messenger.

Danilo Martins diz:
Sami?

Danilo Martins diz:
Sami? Oi?

Samara estava bem longe do MSN.

- Hugo!
- Vim conversar! Tava pensando em ir tomar um sorvete, e ai?
- Oxe! Bora pô! Deixa só eu desligar o PC e trocar de roupa.
- Beleza.
- Espera ai, ahhh, lembra de Pedrinho?
- Eita! Tá grande pô!
- Fica ai com ele Pedrinho, volto logo!


Ao entrar no quarto a janela com as palavras de Danilo se destacaram logo. “Agora Danilo? Agora!?”.

Samara diz:
Oi Danilo! Que demora!

Danilo Martins diz:
Desculpa, tava ajeitando umas coisas aqui.

Samara diz:
Pois é, infelizmente eu é que não vou poder ficar aqui agora, a gente conversa depois tá? Bjus! Fui....