Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Passando Selos

Esse selo veio do blog "Divagando e Aprendendo, ou não" do grande Flavito!
Obrigado pelo selo e vou fazer minha parte.




















Repasso esse selo para: Galinha Criou Dente, Acho Ótimo, Shablemga, Burguela e o Poemas Tardios.

Eu só tenho a agradecer a Flavito pelo apoio. Também tenho que falar que adoro os textos que ele escreve.

Tá ai. Recebido e passado.

Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

... leu. - Episódio 18

Antes de começar quero dizer que por enquanto Samara será atualizado somente nas quartas-feiras. Vai levar um tempo para entrar no ritmo novamente. Talvez a primeira temporada termine nesse ritmo. Desculpa a quem acompanha.

Episódio 18

Samara não sabia o que falar, não tinha falado praticamente nada até aquele momento. Dona Júlia tinha tomado à frente e ela estava bem confortável na posição de ouvinte. Ela observa a criançinha.


- Onde você mora Jonas?

- Ah, eu moro aqui pertinho. E Eu entendo você ficar meio acanhada. Eu também fico. Acho que se não fosse a mãe de sua amiga eu também não saberia o que falar. – Samara ri junto com Juliana, as duas estavam sem jeito.

- É que eu não sei bem o que dizer, é tudo tão estranho.

- É sim, só nos vimos uma vez numa situação horrível.

- É. Aquilo mexeu muito comigo. Apesar de mal conhecer vocês eu fico muito triste.

- Não fique triste, apesar de todos os problemas, tá dando certo. Eu sinto muita falta da minha mulher, é difícil olhar pra ela e não lembrar de Maria, mas tenho que superar isso.

- Você tá sendo muito forte.

- Tenho que ser.


Dona Júlia volta, Jonas termina de dar leite a menina. Enquanto a Dona Júlia, Samara e Juliana comem, Jonas conta como era sua vida com Maria. E Samara vê o quão felizes eles eram, tinham problemas, claro, mas tinham muitos planos. Era muito triste ver que parte desses planos não iriam mais acontecer.


Ele pede para dona Júlia segurar um pouco Marina enquanto ele compra alguma coisa para comer. A menina dormia tranqüila. As três ficam paralisadas olhando Marina. Tão pequena, tão frágil, mas teria que ser tão forte quando começasse a compreender melhor as coisas.


- Não é linda meninas? Ah como eu queria outra dessas.

- E por que não teve, mãe?

- Eu não consegui mais engravidar, pensei em adotar, mas era muito complicado. Seu pai não tinha tanta paciência. Agora eu já tô mais velha, e seu pai até tava falando um dia desses que sentia falta de uma bagunça em casa. Não que você já não aperreie demais, mas uma bagunça de criança. Seu pai adora crianças também. Para adotar ele teria que participar de várias reuniões e foi bem na época que ele arrumou emprego novo. Não encaixava.


A menina esboça uma cara de choro, dona Júlia se apressa em ninar a garota.


- Calma, calma, calma. Ele já vem.

Samara e Juliana conversa, sobre a menina, sobre outras coisas, coisas da escola que precisavam adiantar. O tempo vai passando e Jonas não retorna. Normal, a praça estava cheia.

- Demorando ele, né? – pergunta dona Júlia. – Ela é novinha, mas pesa. – as três caem no riso.

- Deixa eu segurar ela, dona Júlia?

- Você já segurou algum bebê antes Samara?

- Não. Nem Pedrinho, tão novinho assim eu tinha medo.

- Segure aqui, isso, agora cuidado na cabeçinha dela.


Cuidadosamente Samara coloca Marina em seus braços. Seu peso nem era tanto, mas tinha acabado de pega-la. Branquinha, cabeça com uma toquinha por causa do frio. O menor ser que já havia segurado, mas ao mesmo tempo o mais belo, o que mais passava imagem de paz.


- Tá demorando ele, não é?

- É. Ju, vê se tu consegue ver ele por ai. Só levanta e olha.


Juliana procura e nada vê, era um dia movimentado, não lotado, mas era confuso olhar na multidão. Marina começa a chorar novamente, Samara a devolve para dona Júlia, que pede para ela procurar uma chupeta na bolsa que Jonas havia deixado.Abrindo o bolsa Samara procura a chupeta, com alguma dificuldade encontra a chupeta e um pedaço de papel junto. Era um bilhete.


“Samara, me desculpe, mas eu não posso, eu não conseguirei criar Marina sozinho. Não consigo parar de pensar em Maria Rita. Olho com culpa para Marina mesmo sabendo que a morte de Maria não foi culpa dela. Estamos só nós dois aqui, eu não estava preparado para passar por isso só. Você tem uma família, você tem uma base, eu não tenho. E mesmo que ela não fique com vocês, eu não tenho coragem de deixa-la em um orfanato. Cuida bem dela por mim Samara.”


Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

... reencontrou. - Episódio 17

Na sexta que teria sido combinada o encontro não aconteceu, muito menos na outra semana. Praticamente quase um mês após é que Samara consegue confirmar com Jonas o encontro. Como companhia ela teria Juliana e sua mãe, dona Júlia. Já passavam das 15:00 quando Jonas apareceu no local marcado, a praça de alimentação do shopping Recife. Com ele algo que parecia ser um grande embrulho, toda arrumadinha, ele trazia sua filha no braço. Meio que desajeitado ele também trazia pendurado ao ombro uma bolsa, que Samara concluiu que seriam as coisas da garota, fraldas, mamadeiras e tudo mais.

- Oi, desculpa o atraso, mas é que deu trabalho pra arrumar ela. Tudo bom?
- Tudo sim. Ah, essas são Juliana e sua mãe Júlia. Minhas amigas.
- Prazer.
- Ela é linda!
- É.
- Posso segura-la?
- Claro.

A mãe de Juliana pega a garota com cuidado, seus olhos brilhavam. Há tempos que ela sonhava em ter outro filho, mas ela tinha problemas para engravidar e Juliana foi concebida após vários tratamentos. Juliana nunca tinha visto sua mãe assim, tão encantada. Assim como ela também estava ao ver aquela criança. Com pouco mais de um mês, tomando forma ainda, mas um rosto já angelical. Dona Júlia pergunta:

- Ela já tem nome?
- Ah, tem sim, já tava definido muito antes dela nascer. É Marina
- É um lindo nome.
- Como você tá cuidando dela? Amamentação?
- Tá difícil. Eu arrumei uma “Mãe de leite” pra ela no hospital. Ela a amamentou no começo, ainda amamenta, pego leite com ela. É muito complicado.
- Deve ser mesmo. Você tá morando só?
- Sim, só nós dois.
- Não tem nenhum parente? Amigo? Nada?
- Não, a gente veio pra cá por causa do emprego de Maria Rita. Somos do sul do país.
- Meus únicos parentes eram meus pais, mas eles já morreram.
- E a família dela?
- É complicado. Eles não que aceitavam, passaram a ignorar Maria depois que ela engravidou. Acho que nem sabe que ela não está mais aqui.
- E você não avisou?
- Eu tentei, mas nunca me atenderam. O único contato que tenho deles é o telefone. Eu sinto tanto a falta dela, tá sendo tão difícil.

Samara sente um baque por dentro. A vida deles que já era complicada agora tinha se tornado mais complicada ainda. Uma família que tinha tudo para ser feliz agora estava abalada. Era visível a emoção em Jonas, seus olhos já vermelhos. Samara não estava conseguindo se conter, dona Júlia percebe isso e tenta mudar o rumo da conversa e então olhando para a menina fala:

- Então Marina. Tá acordando muito de madrugada? Aperriando muito painho? Hein? – Sorrindo e olhando para Jonas ela espera alguma resposta.
- Na verdade ela é bem tranqüila. Acorda pra comer, claro. O mais complicado é trocar as fraldas, não tenho muita habilidade.
- Normal, quase nenhum homem tem. Você tá trabalhando?
- Sim, estou sim. Arrumei um emprego aqui também. Eu fiz um acordo com meu chefe e ele me deu uns quatro meses de férias, até as coisas se acertarem, ela ficar maiorzinha.
- Seu chefe foi bem legal.
- Ele foi sim.
- A empresa é grande?
- Nem tanto, e acho que foi por isso, porque como não é uma empresa grande ele tem mais contato com os funcionários.
- É empresa de quê?
- Informática.

A menina começa a chorar, dona Júlia entrega a criança ao pai. Era fome. Ele tira uma mamadeira da bolsa e começa a alimentá-la.

- Bem, acho que devemos comer também. – Diz dona Júlia – Eu compro o de vocês meninas. O de sempre?
- Sim.
- Sim.
- Jonas, você quer alguma coisa?
- Obrigado, mas depois eu compro. Deixa eu terminar aqui.
- Certo, já volto.

Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

... começou a levar vida novamente - Episódio 16

- Como foi lá pai? Como ele tava?

- Nada bem meu amor. Muito abatido, muito triste. Olhos roxos de tanto chorar.

- E o bebê?

- O bebê tá bem. Tá na incubadora ainda. Só sai semana que vem.

- Por que tanto?

- Ele nasceu numa situação complicada amor, tem sorte de ser tão forte.

- E o enterro dela quando é?

- Amor, o enterro dela foi hoje.

- O quê?! Por que o senhor não me disse?

- Amor, calma. Não queria que você fosse. Não ia ser bom para você. Eu sei que você ficou ressentida com isso, mas não ia ser bom para você.

- O que não é bom é o senhor fazendo isso! Eu queria ter ido!

- Filha! Calma. Confie em mim. Por favor, confie. Eu sei como eu fiquei só de ver o pobre do Jonas, não queria que você ficasse assim também.


Samara sai apressada da sala em direção ao quarto, revoltada com a proteção excessiva do pai.


- Filha! Filha! Me desculpe, eu fiz o que achei melhor pra você. Acredite em mim.


Deitada na cama, triste com aquilo tudo, Samara chora. Não sabe mais se de raiva com o pai, pela dor da perda, e o que mais a intrigava era o fato de que não conviveu mais do que 15 minutos com aquelas pessoas, ou um misto de tudo. Tinha sido um dia muito cansativo, muito angustiante e triste. O colégio não foi bem, não conseguia se concentrar em nada. Nem conversar com Juliana sobre o ocorrido lhe acalmou.


Samara nem lembra a que horas pegou no sono, mas já era manhã de quarta feira, 5:00 da manhã. Muito cedo. Geralmente ela acorda às 6:15, apulso, para ir a escola. Parecia mais aliviada, mais calma, apesar de sentir o rosto um pouco pesado, um tanto como inchado por conta do choro. E de fato estava com olheiras. Sem que seus pais percebam Samara já está na cozinha, pronta para ir a escola, fazendo seu desjejum.


- Bom dia amor.

- Bom dia mãe.

- Bom dia minha querida – diz seu pai, olhando-a com cuidado, como se esperasse alguma grosseria.

- Bom dia painho.

- Espero que você não esteja mais chateada comigo.

- Passou painho. Deixe isso pra lá.

- Certo.


A semana termina, o fim de semana passa e Samara ainda não estava normal. Não teve vontade de ir ao cinema, de ir ver as amigas. Ainda estava muito reflexiva, cada vez menos triste, é verdade, mas reflexiva. Na escola conversava com Juliana, mas ria de poucas coisas.


- Alô?

- Alô, Samara?

- Sim, quem é?

- Aqui é Jonas, não sei se você ainda lembra de mim.

- Lembro! Claro que lembro!

- Eu queria agradecer por ter guardado e devolvido a bolsa da minha mulher. Eu agradeci a seu pai, mas queria agradecer a você.

- Não precisa agradecer – um silêncio se segue, Samara não sabe o que falar, na verdade não sabe se fala o que tem em mente. - Eu que queria deixar meus sentimentos. Eu ainda estou muito triste com tudo o que aconteceu.

- Não se preocupe, eu vou ficar bem.

Samara estava constrangida, não sabia se deveria ter dito aquilo.

- O bebê está bem?

- Ela está ótima. Sai amanhã da incubadora.

- Eu queria poder vê-la.

- Você pode vê-la

- Quando?

- Ela sai amanhã, vai demorar um tempo pra eu me acostumar a cuidar dela. Não sei, mas posso tentar sexta.

- Certo, falarei com meu pai. Agora eu tenho que ir, a aula já vai começar.

- Desculpa! Não queria atrapalhar.

- Nada. Espero que o senhor fique bem mesmo.

- Pode me chamar de Jonas. Eu estou me recuperando, a dor é grande, mas estou me recuperando. Obrigado mais uma vez.

- Não precisa agradecer. Tchau.

- Tchau.

Samara fica uns segundos quieta. Não esperava que um dia fosse ver a criança. O silêncio é interrompido por Juliana.

- Sami? Sami? Oi?

- Oi, desculpa.

- O que foi?

- Era o pai da menina, aquele do ônibus, lembra?

- Claro que lembro. Eu também fiquei triste. O que ele queria?

- Agradecer pela bolsa. Acho que vou ver a menina.

- Como assim? Você vai na casa dele?

- Não, se for vamos marcar em algum lugar público. E meu pai vai saber.

- Eu quero ir também.

- Como se eu não fosse te chamar.

- Quando vai ser?

- Se tudo der certo, sexta.



Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

... temeu - Parte 2 - Episódio 15

Antes de começar o episódio eu queria pedir desculpas aos leitores pela demora na postagem de um novo episódio. Tirem isso como as férias do blog. Vamos direto agora até o final da primeira temporada. Sim, defini quantos episódios serão. Serão 30. Estamos na metade do caminho.
Eu vou fazer de tudo mesmo pra continuar a história sem pausas.

----------------------------------------------------------------------------------------------------

Samara observa de perto toda a situação. O ônibus saia em disparada com seus poucos passageiros em busca do pronto socorro mais próximo.


- Calma amor, calma!
- O senhor quer que eu faça alguma coisa?
- Sim, na bolsa dela tem remédios de pressão, pega eles.

- Certo.


Samara mais do que nervosa procura o remédio. Ela mal conseguia segurar os objetos da bolsa de tanto que suas mãos tremiam. A mulher desmaia.


- Achei, tá aqui! É esse?
- É sim!


O ônibus pára. O motorista abre as portas do ônibus e sai correndo, entrando no hospital gritando por uma maca. Não tarda até dois enfermeiros chegarem com uma maca. A jovem é levada inconsciente pelos enfermeiros. Seu marido a segue nervoso. Pela janela, Samara olha a maca entrando no hospital. Ela senta no banco, ainda nervosa e pensativa. As poucas pessoas no ônibus conversam sobre o ocorrido, a viagem tenta seguir sua normalidade após alguns minutos.


Passado uns 15 minutos do ocorrido Samara escuta um barulho de peso ao cair no chão, vindo da parte de trás do ônibus. Olhando com cuidado Samara nota que a Bolsa da mulher estava no chão. Seus documentos agora espalhados no chão do ônibus. Ela os pega e coloca de volta na bolsa. Olhando com cuidado vê a identidade da jovem. E era jovem mesmo, 26 anos. Maria Rita era seu nome. Seu celular também estava na bolsa.


- Cobradora? Olha, a bolsa da mulher ficou no ônibus. O que eu faço?

- Os documentos dela tão ai?

- Estão sim. Todos. O celular também.

- È melhor então você ficar com a bolsa e tentar entrar em contato com ela diretamente. Ninguém nunca vai nos achados e perdidos da empresa.

- Hum. Certo. Obrigada.


Em casa Samara conta o ocorrido aos seus pais. Os pais de Samara ligam para o hospital onde a jovem recebeu os primeiros socorros. Ela foi transferida para o hospital do seu plano de saúde. Enquanto seu pai procura na lista o telefone do hospital, Samara olha o celular de Maria Rita e acha na agenda um telefone que ao que tudo indicava seria de seu marido. “Jonas(amor)”.


- Pai, eu acho que é o marido dela. Ligo?

- Ligue pra avisar que as cosias dela estão conosco.

- Certo.

O telefone dá fora de área.

- Fora de área, pai. Amanhã eu ligo novamente.

- Eu achei o do hospital aqui. Deixa eu ligar pra lá.


Samara e sua mãe aguardam alguma noticia. Ouvem seu Marcos conversar com a atendente. Após alguns minutos ele desliga o telefone.


- Ela tá na sala de cirurgias. Vai fazer uma cesariana. A atendente não conseguiu encontrar o marido dela. Disse que ligássemos amanhã de manhã pra termos noticias.

- Então amanhã logo cedo a gente liga.


Samara demorou mais do que o de costume para dormir naquela noite, pensando em tudo o que havia acontecido naquele dia. Nem se lembrara que minutos antes ao acontecido no ônibus ela estava no cinema, um de seus programas favoritos. Ao levantar no outro dia, seus pais já estavam de pé e prontos para irem ao trabalho, mas seus olhares não eram dos mais animados.


- Filha, liguei para o hospital.

- E ai? Como ela está? O bebê tá bem? É menino ou menina?

- É uma menina e tá ótima.

- Que bom! Ufa! Falou com o pai dela? A gente vai lá devolver a bolsa?

- Eu vou devolvera bolsa, você não.

- Por quê?

- Amor, ela faleceu.

- O quê? O que houve?

- A gravidez dela era de risco, ela tava tendo complicações há um tempo. Depois da crise de ontem o coração dela não resistiu.

- Nossa... mas...não... puderam fazer nada por ela?

- Infelizmente não.


O silêncio toma conta da sala. Samara sentada no sofá não diz uma palavra. Seu pai de pé a olha enquanto sua mãe terminava de se arrumar.


- Filha?

- Oi.

- Você vai ficar bem?

- Acho que sim. Eu sei que nem a conhecia pai, a única coisa que ouvi aquela mulher falar foi que sua bolsa estourou. Mas eu vi o desespero do seu marido. Eu fiquei desesperada com aquilo também. Eu não os conhecia, mas eu me sinto mal. Triste.

- Você participou da situação meu amor, de alguma maneira você criou um laço com aquele casal, por mais que você só tenha os conhecido ali, naquela situação. Lembra daquela frase do tempo? Que o que importa não é o tempo e sim a intensidade? Às vezes aquilo é verdade.

- Ele deve tá arrasado.

- Ele realmente estava muito mal, eu só consegui dizer a ele que estava indo devolver a bolsa. Eu vou levar agora. Você vai ficar bem?

- Acho que vou.

Dona Marta senta ao lado de Samara, passando a mão em seus cabelos. Samara a abraça.

- Meu amor, infelizmente a vida tem dessas coisas.


Samara nada responde. Dona Marta continua a confortá-la e então percebe que Samara estava chorando. Não era um choro sem fim, mas eram lágrimas de um sentimento que ela não sabia explicar. Dona Marta enxuga suas lágrimas e então fala.


- Amor, é melhor você ficar em casa hoje. Eu ligo para sua escola.

- Não mainha, é melhor eu ir. Se eu ficar em casa só vou ficar pior.

- Você é quem sabe. Sei que eles não eram seus amigos, mas eu conheço você. Sei que você é muito emocional. Se você diz que dá pra ir para a escola então eu confio no seu julgamento. Qualquer coisa você me liga. Certo?

- Certo mainha..

- A gente vai indo, certo?

- Certo. Pai!?

- Oi meu amor.

- Eu quero ir no enterro dela.

- Amor, eu já não queria que você fosse hoje comigo para não lhe expor a mais sofrimento.

- Mas eu quero ir ao enterro.

- Amor, pense direitinho.

- Eu vou.


Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Comunicado

Este que vos fala vem aqui dizer que Samara só volta em Julho. Pois é.
Devido ao meu grande relaxo vocês ficaram sem estórias nesse ultimo mês. O que vai acontecer? Julho seria o mês das férias de Samara também, e não ia ter nada no blog, agora ela tá tendo essas férias adiantadas e em julho teremos estórias normalmente.

Eu sei que sou relaxado, comecei a escrever, gosto muito de escrever, mas eu ando muito preguiçoso! O pior nem é isso! O pior é que a faculdade tá deixando sem tempo! Pois é! Ultimo mês de aulas e são só trabalhos e provas! Correria! E mesmo quando tem tempo não dá pra concentrar pra escrever.

E se eu disser que tem uma história prontinha no meu caderno? É! Tava ali, numa aula chata, ai escrevi. Então... veja bem... a previsão é de volta em julho, mas.... se der.... eu passo tudo rapidinho pra o pc, dou uma corrigida, uma ajeitada, boto nos trinks e posto!

Me desculpem pelo "descaso".

Fiquem de olho em junho pra ver se aparece algo.

Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

... temeu. - Episódio 14

“Merda! Sabia que tava esquecendo alguma coisa!”

- Oi Ju, depois eu ligo pra tu. Tô no cinema.
- Ah tá, foi mal.

“Será que perdi alguma coisa importante? Ah ! Perdi não! Agora é que ele vai falar a verdade a ela.”

Samara queria passar o tempo, mas queria passá-lo sozinha. Colocou em prática uma mania que há muito tinha: ir sozinha ao cinema. Sempre que queria realmente ver um filme ela ia só ao cinema. Na verdade ela sempre foi bastante independente. Porém, o que ela queria mesmo era ficar só, ainda estava triste pela partida de Hugo.

“Oxe, que filme da porra! É bom, mas é doido. Deixa eu ligar pra Ju.”

- Ju?
- Oi.
- Diz ai, o que foi?
- Ah, vamos viajar comigo no próximo fim de semana? Com painho e mainha.
- Pra onde?
- Pra casa de praia da gente, lá em Enseada.
- Oxe, desde quando vocês têm casa em Enseada?
- Desde ontem! Painho comprou!
- Eita! Que massa! Eu vou ver lá em casa, mas acho que vou.
- Vê mesmo. Tais com quem ai?
- To sozinha.
- Voltasse com tuas manias de doida foi?
- Foi. Você devia ter umas manias dessas também.
- Eu não! Eu tenho amigos!
- E eu também, mas eu não os tenho sempre que quero.
- É verdade.
- Olha, vou indo que ainda vou pegar dois ônibus.
- Tá. Cuidado e quando tu chegar em casa a gente se fala pela net.
- Certo, tchau.
- Tchau.

“Eita que essa hora o ônibus deve tá lotado”

Para a surpresa de Samara o ônibus estava era quase vazio. O que era muito estranho. Era difícil andar de ônibus e não lembrar do seu incidente. Ainda mais tomando o mesmo ônibus e em condições parecidas. Ela não sabia se era coisa de sua cabeça ou se realmente seus instintos estavam lhe alertando sobre algo.
“Por que aquele senhor tá tão nervoso? Ele não pára de olhar pra trás... aquela mulher também, ela tá muito nervosa e o cara do lado dela não pára de olhar o relógio. Será que são namorados? Ainda tem aquele cara sozinho lá trás. Puta merda, ou eu tô ficando louca ou me meti em mais uma furada. Samara! PARE! PARE! É COISA DA SUA CABEÇA!!! PARE!!! PARE NÃO!!! O cara levantou! Caralho!!! Tá indo lá na cobradora. Ele vai assaltar agora! Não é possível! Calma, deixa ver o que vai acontecer! Ele tá voltando, só falou com a cobradora, mas ele tá muito nervoso, apressado. E eles são namorados mesmo, ele beijou ela. Ela tá passando mal? Ela não tá legal. Tá mesmo não. EITA! Ela desmaiou!”

- AMOR! AMOR!!! Motorista! Ela minha mulher tá passando mal! Pára em algum hospital! Por favor!!!
- Leva Motô! Ali na frente tem uma particular, eles vão prestar socorro!
- Amor! Acorda amor! Meu Deus! É a pressão! Tá caindo direito!
- Moço! O que dá pra fazer pra ajudar?
- Segura ela enquanto dou água a ela. Amor! Amor! Acorda amor!

O homem coloca água na boca da mulher, que mesmo inconsciente engole o liquido. Ele continua a reanima-la tocando em seu rosto e chamando sua atenção. Samara pegou a pasta do cara que estava sentado sozinho no canto do ônibus e a agitava para fazer algum vento para a mulher desmaiada. Aos poucos ela vai retornando, mas ainda bastante fraca. Quando o marido tenta deixar a sua esposa sentada é que Samara nota que ela estava grávida, e estava com um barrigão.

- Amor, amor. Calma. Tome o remédio vá. A gente deve tá chegando num hospital já.
- Amor...amor... a bolsa.
- A bolsa tá aqui, já peguei o remédio.
- A bolsa estorou.

Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

... se despediu - Episódio 13

Observação: leitores e leitoras, quero com vocês um teste fazer. Mais embaixo tem um link com um webplayer. Abram o site e para começar, apertem o botão de play para a música começar a carregar. Mas não é pra ouvir a música agora. Deixem carregar e comecem a ler o texto. Em um determinado ponto do texto vocês vão ler uma tag em parenteses e em negrito "(Começa música)". Ai sim vocês devem começar a ouvir a música e continuar a leitra. Preciso muito do comentário de todos vocês que lêem o blog. Me digam se a música atrapalhou a leitura, se a música ajudou, se fez sentir mais emoção. Enfim, é um teste. Espero a opinião de vocês! Obrigado e boa leitura!

Link da música
(se o link não funcionar a música é Fix You do Coldplay).



-Painho! Mainha! Hugo tá aqui pra se despedir de vocês.

Samara e Hugo, frente a frente na porta do apartamento de Samara. Ela já visivelmente emocionada, sem ação.

- Hugo! Garoto! Deixa eu te dar um abraço! Faça uma boa viagem! Aproveite lá!
- Obrigado seu Marcos! Obrigado mesmo!
- Hugo querido, faço das palavras de Marcos as minhas. Eu imagino como deve ser difícil ficar longe da família e dos amigos, mas é só mais esse ano.
- É muito difícil, mas o esforço é recompensando. Tô aprendendo muito. Obrigado. E esse pequeno ai? Vai falar comigo não? Não vai me dar tchau?
- Tchau Hugo, aproveita a praia.
- Hã? Ahh! Não Pedrinho. Hugo não vai à praia. Ele vai viajar. Esse menino! Samara, qualquer coisa me ligue, viu?
- Certo mãe. Vamos?
- Vamos. Tchau seu Marcos, dona Marta, tchau Pedrinho. Foi muito bom ver vocês de novo. Ano que vem estou de volta!

Samara fazia muita força pra segurar suas lágrimas, mas seus olhos já estavam bem vermelhos e molhados. Até quando ela iria segurar as lágrimas ela não sabia, mas tinha certeza de que não seria por muito tempo. Ela sempre se emocionou fácil, quem dirá quando um grande amigo vai embora? Ainda mais agora que ela concretizou um antigo sentimento Ela tentou não se iludir com isso, sabia que ele iria embora, sabia que lá seria outra vida. Sabia também que aqui seria outra vida, que ela nenhum dos dois podiam se garantir nada. Mas ela estava triste mesmo assim. Ela não estava apaixonada, já foi um dia, mas ficar com ele reacendeu um pouco do que sentia. Era o tchau a um amigo e provavelmente um adeus a um romance.

- Meus pais estão lá embaixo já. Painho que queria falar com teu pai, acho que na volta eles se falam.
- Hum, certo.
- Sami, obrigado por ir comigo, você é uma grande amiga. Eu sei que a viagem é tarde, meia noite, seus olhos já estão vermelhos.
- Hum, ótima desculpa.
- O quê?
- Nada.
- Chegamos, vamos.
- Oi seu Felipe e dona Bárbara.
- Oi Sami! Tudo bom?
- Dentro do possível sim.
- Vamos?

(Começa música)

Chegar ao aeroporto foi fácil, eles saíram com mais de uma hora de antecedência, para garantir que iam mesmo chegar na hora. Faltavam 40 minutos hora para o vôo sair.

- Mãe, eu vou ali com Samara comprar algo pra levar na viagem.
- Certo, mas olha a hora.
- Tá, vamos Sami?

Eles se afastam, descem a escada rolante. Mal conversaram no caminho, Samara não conseguia achar algo para conversar. E parece que Hugo também não. Eles continuam andando no piso inferior, quando chegam a um lugar mais afastado Hugo toma uma atitude repentina. Um beijo em Samara, e um beijo como há tempos ela não tinha recebido. Um beijo forte. Tudo o que ela conseguiu fazer foi repetir o gesto. Ela o abraçou bem forte. Beijava como nunca antes tinha beijado alguém antes. Já tinha dado muitos beijos longos, muitos beijos de deixá-la sem fôlego. Mas nunca tinha dado um beijo de despedida. Um beijo em que ela queria dizer “não me esqueça”.
As lágrimas já não eram mais controladas, por nenhum dos dois. Ainda beijando-a ele coloca as duas mãos no rosto de Samara, uma de cada lado. Por uns segundos eles param de beijar. Afastam os rostos, Samara de olhos fechados, as lágrimas por seu rosto. Hugo olha Samara por uns segundos ainda com as mãos em seu rosto, com as mãos que buscam sentir o rosto de Samara, como se os dedos fossem capazes de guardar aquela sensação para sempre.

- Eu não sei o que vai acontecer nesse resto de ano. Eu não sei como vai ser minha vida lá nem a sua aqui, mas sei que não importa o que aconteça, quando eu voltar você vai ser minha amiga. Não podemos nos garantir nada e eu queria levar esse ultimo beijo na lembrança. Não sei se a gente tivesse ficado antes de eu viajar da primeira vez estaríamos namorando agora, não sei como estaríamos. Sinto que perdemos tempo, que deixamos a hora passar. Eu me pergunto até hoje como eu fui tão medroso em não tentar nada.
- E eu que fui tímida? Teve uma época em que eu não tirava você da minha cabeça. Quando você foi embora ano passado doeu, mas não como dói agora. Eu também não sei o que vai acontecer com a gente. Também sinto que perdemos tempo.
- Eu sei que você esteve interessada por outro.
- Sabe? Ahh, Juliana!
- É. E você sabe que eu também tive interessado em outra lá. Eu não sei como vai ser.
- Só nos resta esperar. Infelizmente.

Embarque para o vôo da TAM com destino a Quebec, Canadá, no portão 6.

Samara olha fixo nos olhos de Hugo e mais uma vez as lágrimas não são contidas. Nem os soluços. Outro forte abraço, bem afetuoso.

- Sami, como amigo eu posso abrir a boca pra dizer que te amo.

Samara não conseguia falar, e ao ouvir o “te amo” ela o abraça mais forte ainda.

- Calma. Eu volto!

Samara mesmo chorando sorri. Os dois decidem voltar para a área de embarque. E Samara e Hugo não eram os únicos a chorar. Dona Bárbara também chorava abraçada a seu Felipe.

- Filho! Faça uma boa viagem! Tome muito cuidado lá! Eu sei que você é responsável até demais, sei que você sabe se cuidar, mas mesmo assim. Já sinto saudades de você. Eu te amo filho.
- Também te amo mãe – Hugo também chora abraçado a mãe.
- Filho, faça uma boa viagem e qualquer coisa que precisar peça. Você sabe que estamos aqui.

Pai e filho se abraçam, Samara observa.

- Bem, acho que é isso, vou embarcar logo. Então... tchau pra vocês e no fim do ano eu volto. Sami, vem cá.

E para a surpresa de dona Bárbara Hugo se despede de Samara com um beijo na boca. Samara fica com um sorriso no rosto. Os três ficam próximos ao portão de embarque, esperando Hugo entrar. Samara ainda emocionada fica olhando. Foi difícil ver Hugo entregando as passagens a funcionária. Ali era o ultimo olhar, o ultimo momento até o próximo ano. Ao entrar para a sala de espera Hugo olha para trás, olha os pais, olha para Samara. E foi como se tudo fosse em câmera lenta. Ele sorri olhando para ela, ela sorri em troca Um sorriso com lágrimas dos dois lados, e essa é a imagem que os dois vão ter em mente até o fim do ano.

Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

... matou aula! - Episódio 12

Era uma bonita manhã de quinta feira e as coisaS iam muito bem para Samara. Na noite anterior havia acontecido algo que para Ela já tinha passado da hora de acontecer. Hugo e ela finalmente se beijaram. Mas também era a véspera do dia de Hugo ir embora para o Canadá. Era um misto de alegria com profunda tristeza o que ela sentia. Euforia em ter beijado Hugo e uma imensa vontade chorar porqUe ele ia embora.

Samara então resolve não pensar no dia de amanhã, mas sim Pensar no hoje e tentar conseguir algo pra guardar na memória tão forte quanto aquele beijo.

- Hugo? Hugo? Te acordei?
- Humhum!
- Desculpa, mas é que amanhã tu vai emboRa e eu queria fazer algo contigo hoje, pra gente se divertir.
- Tu tem o quê em mente?
- Lembra onde é o colégio, né? Então, eu vou tE esperar perto do colégio.
- Tu vai matar aula?
- Só hoje.
- Por minha causa?
- Sim, tu é um grande amigo que vai embora amanhã.
- De que horas eu chego lá?
- Eu vou ter que sair agora, pra o pessoal daqui de casa pensar que eu fui. Chega pelas 8 se der.
- Dá sim. Espera lá.

Samara não sabia neM de onde tinha tirado essa idéia, muito menos o que ia fazer durante o dia. Foi uma loucura que bateu de ultima hora, mas que agora já estava feita. E Hugo chegou assim como havia prometido, bem perto das 8 horas. Um beijo na boca seguido de um sorriso de ambas as partes soa como se fosse um “bom dIa”, soa como se fosse um “ótimo dia”.

- E ai? O que vamos fazer?
- Eu nãO sei. Só queria passar a manhã contigo.
- Hum! Ótimo! Mas aqui atrás da EScola é que não vamos ficar, né?
- Não! Claro que não! Vamos dar uma olhadinha no mar?
- Vamos!

Apesar de estudar pertinho da praia fazia Tempo que Samara não via o mar. No caminho vão conversando sobre diversas coisas, sobre o dia anterior, sobre o que tinha acontecido. Um assunto que nenhum dos dois queria tocAr era o do dia seguinte, a despedida de Hugo. Tanto ela como ele tinha acordado em viver aquele dia, e somente aquele dia, como se o amanhã não importasse.

O mar lindo e imponente como Samara jamais havia visto. O céu azul e sem nuvens. Hugo morria de saudades daquele calor, daquele ambiente. Os dois caminham de mãos dadas pela orla, molhando os pés Nas ondas que Ocasionalmente os alcançavam. Vez por outra trocavam palavras, falavam sobre coisas do passado. Mas naquele momento palavras não eram necessárias, pois tudo era substituído por um olhar e um sorriso. Eles param, de frente para o mar, olhando a paisagem.

- Por que a gente demorou tanto pra deixar isso acontecer?
- Sei lá, há um ano atrás não éramos as pessoas que somos hoje Sami.
- Eu sei, mas a gente queria, quer dizer, eu queria.
- Então, eu também, mas não via isso em você.
- É, eu não demonstrava.
- Ficar se perguntando por que isso não aconteceu antes não adianta de mais nada. Importa é que aconteceu agora.
- Eu sei. – Samara vai para a frente de Hugo – É que amanhã tu já vai embora. A gente só trocou beijos, não é um relacionamento, mas se você ficasse seria, tenho certeza. Por isso que fico PENsando no antes. Porque se tivesse acontecido antes a gente já teria muita história pra contar, mesmo tu tendo que ir viajar.
- Eu sei disso. Mas eu volto, no fim do ano volto de vez. Eu não sei o que vai acontecer com a gente daqui pra lá. O que sentia por você ficou apagado enquanto eu estava longe, quando te vi foi que reacendeu tudo de novo.
- Comigo também. Eu não sei o que vai acontecer durante o resto do ano. Mas não vamos pensar nisso não, vamos deixar acontecer. Quando você voltar a gente vai ver como vamos estar. Vamos aproveitar o dia de hoje como se não fosse mais acontecer.

Mais uma vez os olhares vão ficando mais próximos, mais íntimos. E outro beijo acontece, e esse bem mais forte do que o da noite anterior. Um beijo que significava muita coisa. A água tocando seus pés, os Dois abRaçados, se beIjando, quem Via ao longE não poderia distinguir duas pessoas.

E assim foi o dia, após a praia foram pra Olinda, andaram juntos pelas ruas e ladeiras do sitio histórico, aproveitaram muito bem aquela manhã, que como Samara havia planejado, foi para guardar na memória.

Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

Passando o selo








Leitores e leitoras de todo meu Brasil, fui premiado na indicação dessa nova Publicidade dos Blogs da internet brasileira. A Publi dos Selos! E como funciona isso? Funciona assim: quem recebe um selo tem que o repassar para mais cinco pessoas, ou seja, mais cinco blogs que merecem atenção.
Pois é, é uma corrente de e-mails por blogs, mas que serve pra o dono daquele blog que você tanto gosta indicar as fontes de leitura, de lazer ou passa-tempo dele.

E ai lá vão eles:

Galinha Criou Dente
Shablemga.com
Omfgitsabl0lg
Salada Total
Poemas Tardios